FKA Twigs - Cellophane
- 4 de ago. de 2019
- 3 min de leitura

Com uma história extensa que se adaptou e transformou de acordo com a evolução do cinema e da música, os videoclipes são uma forma de narrativa única no audiovisual. Além de normalmente ser de curta duração, a liberdade artística é o que destaca essa forma de expressão, sendo assim, se tornou um espaço aberto para a experimentação dos músicos e dos produtores, possibilitando também a facilidade da divulgação na mídia.
Nesse espaço falaremos sobre variados artistas e como seus videoclipes complementam suas obras, visando evidenciar seu processo de criação e possíveis simbolismos encontrados, assim como opiniões pessoais. Haverão análises tanto de novidades, quanto de clipes já considerados clássicos.
A primeira artista desta série é a cantora, produtora e dançarina, FKA Twigs. Presente no mundo da música indie desde 2012 com sua primeira obra intitulada “EP1”, Twigs inova em suas produções, trazendo uma sonoridade singular com uma voz delicada e videoclipes experimentais que amplificam as sensações causadas em suas músicas e letras. Participou como dançarina em clipes da Jessie J, como “Do It Like a Dude” e “Price Tag”, mas se destacou como cantora com os singles “Two weeks” e “Video Girl”;
Após anos de hiatus devido à complicações de saúde, retornou recentemente com “Cellophane” e o belíssimo clipe que o acompanha. A música retrata uma vulnerabilidade corajosa da cantora, principalmente no quesito relacionamentos e a repercussão negativa que seu namoro com o ator Robert Pattinson causou em algumas pessoas.

Dirigido por Andrew Thomas Huang (que também já trabalhou com Bjork), o processo se iniciou com um planejamento de conceito e efeitos. Twigs aprendeu pole dance justamente para o videoclipe, com uma coreografia trabalhada e ousada, ao mesmo tempo que transmite a vulnerabilidade ao se apresentar em um palco vazio e sozinha. Há diversos efeitos sonoros presentes, se iniciando por sons de aplausos, câmeras e um público agitado. Nenhum desses aspectos é diretamente visível, simbolizando a solidão enfrentada por Twigs. Ela entra no palco de forma sóbria, com um salto extravagante e figurino único, uma presença marcante. Há o contraste de como ela se apresenta fisicamente com o que ela demonstra estar sentindo-se: vulnerável.



Na segunda parte do clipe, Twigs atinge o topo, o suposto paraíso. Com a utilização de efeitos especiais produzidos por computação gráfica, o próprio ego da cantora é representado pela figura de um pássaro com a cauda ligada ao poste de pole. É como se ela tivesse reencontrado uma parte dela já esquecida ou até mesmo não conhecida, porém que estava inconscientemente presente o tempo todo. Essa auto realização é algo difícil de ser enfrentado, o que leva Twigs a rejeitar essa parte de si.


A rejeição dessa parte da própria imagem instantaneamente a faz cair de onde estava. A ilusão do paraíso se desfaz, junto com o palco e os holofotes. A queda é intensa e desesperadora. Quando rejeitamos partes de nós mesmos, rejeitamos a nossa vida, nossos espaços e conquistas. A cena enfatiza o sentimento dessa quebra de ilusão.
Finalmente, a queda chega um fim. Ela cai bruscamente em uma espécie de caverna repleta de lama. Uma representação do inferno? Ou o início de um conhecimento aprofundado de si mesma? As cenas finais, com Twigs sendo coberta pela lama e aparentando cansaço, estranhamente passa a impressão de alívio. Após cada queda há a oportunidade de um recomeço.


Finalmente, a queda chega um fim. Ela cai bruscamente em uma espécie de caverna repleta de lama. Uma representação do inferno? Ou o início de um conhecimento aprofundado de si mesma? As cenas finais, com Twigs sendo coberta pela lama e aparentando cansaço, estranhamente passa a impressão de alívio. Após cada queda há a oportunidade de um recomeço.
O clipe, em minha interpretação, mostra o processo do alcançar da fama seguida por uma grande crise - tanto existencial quanto social e artística. A vulnerabilidade de suas expressões contrastam inicialmente com sua pose forte e, aos poucos, sincroniza com seus gestos e é transmitida em todos os aspectos das cenas. É a aceitação do processo. O conhecimento de que para se conhecer, é necessário chegar ao verdadeiro fundo antes, enfrentando e conhecendo o próprio ego.
Confira o Videoclipe:
Está matéria foi escrita por:


Comentários